Depois de assistir documentário na TV a cabo sobre mulheres viciadas em romantismo, fiquei pensando seriamente se eu não também não era portadora desse vício. Pode ser apenas coincidência, mas tive uma semana repleta de escolhas típicas de gente romântica. O programa entrevistou mulheres cujas predileções, literárias ou cinéfilas, passando por viagens e expectativas amorosas, sempre tinham a ver com doses e mais doses de muito romance.
“Mais um vício para minha coleção”, suspirei, enquanto enxugava a lágrima no canto do olho, logo depois da sessão de cinema deste sábado, coincidentemente “Dia dos Namorados“. O filme: “Cartas para Julieta“, é uma história linda, passada na Itália, mais precisamente na Toscana, onde uma mulher de 65 anos volta para reencontrar seu grande amor de 50 anos atrás. Mais romântica impossível!
Assim como o filme, também acabei de ler um livro com igual de teor de romantismo, desta vez baseado em história real. O titulo é muito atraente: “1000 dias em Veneza“. Comprei-o no aeroporto, sem nenhuma pretensão e nenhum conhecimento prévio. Queria apenas algo para ler durante o trajeto de Brasília até Campo Grande, e aquele simpático volume me pareceu ser adequado para passar o tempo. Acontece que a leitura revelou-se muito mais agradável e surpreendente que eu poderia imaginar. Resultado: não larguei mais o livro, até terminá-lo pouco menos de 24 horas depois.
O enredo, que já disse ser real, conta história de uma americana de 40 e poucos anos que encontra o amor em Veneza. E como num conto de fadas, larga toda sua vida nos EUA para se casar com seu príncipe e viver sob as águas e a cultura da cidade mais linda e cheia de magia que conheço. Já deu pra perceber que tenho forte inclinação pela Itália. Sim, eu realmente adoro aquele País.
No entanto, durante o filme “Cartas para Julieta” percebi que nunca tive a curiosidade de visitar um dos maiores símbolos do romantismo do País, que é a casa de Julieta (do filme Romeu e Julieta) em Verona. Aliás, nas duas vezes em que visitei a cidade não tive boa impressão. Ao contrário até: na última vez senti tamanho mal estar que resolvi ir embora antes do previsto. Um sensação muito estranha me dominou durante o único dia passado entre suas ruelas e ruínas ancestrais. Comecei a sentir tanto pânico que a única alternativa foi pegar o primeiro trem para Milão.
Acho que nem a casa de Julieta (que dizem é realmente a casa onde uma Julieta de verdade morou) me faria ficar naquela cidade. Pena, pois segunda o filme, milhares de mulheres do mundo inteiro vão até lá depositar cartas e pedidos de conselhos amorosos. Deve ser mesmo interessante. Mas, creio, meu romantismo não chegou a tanto. Ou quem sabe, alguma coisa de vidas passadas tenha vindo à tona? Vai saber.
No entanto, ainda estou cismada com a tal possibilidade ser uma romântica incurável. O que não é nada saudável, segundo a tal matéria da TV, pois mulheres assim tendem a ser exageradamente exigentes em seus relacionamentos. E pior, por conta disso acabam sempre ficando sozinhas. Talvez seja por isso que estou aqui escrevendo em pleno sábado à noite, enquanto milhões de pessoas comemoram o Dia dos Namorados ao lado de seus eleitos.
Deve ser mesmo o tal excesso de romantismo que tem me deixado há anos com o coração estacionado, sem um pulinho sequer, ou uma batida mais forte. Olhando um bocado para trás ainda posso ver a menina que vivia no interior e passava o tempo entre filmes e livros, e que por um bom tempo se achava a própria Julieta. De lá pra cá muitos Romeus passaram e também se foram. Ou por vontade própria ou pela minha. Muito mais pela minha, admito. Mas até hoje, devo confessar, ainda acredito que exista, em algum lugar, não um Romeu, nem um príncipe num cavalo branco, mas um amor, desses maduros mas com coração jovem. Afinal se a vida imita a arte, por que não poderia acontecer comigo exatamente o que aconteceu no filme “Cartas para Julieta”, ou no livro “100 Dias em Veneza”?
Por via das dúvidas, não esqueci de pedir à Santo Antônio, aquele que costuma achar nossa cara metade por aí, que me traga bem depressa alguém a quem eu possa contar todas as tolices que só as pessoas românticas sabem falar, sentir e gostar.
E de preferência alguém que seja muito romântico também. Se possível, que mande flores: goste de assistir filmes todos os dias; que leia muito e bem; seja delicado; amoroso; corajoso; bonitão… Ufa! Santo Antônio vai ter muito trabalho pra achar. Que seja!
junho 13, 2010

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