janeiro 25, 2010

Outro dia ouvi de um haitiano radicado no Brasil que o Haiti precisa é de mais médicos, enfermeiros, remédios e não de força policial. Lembrei-me disso ao ver na mídia a opinião do prefeito sobre os recentes epsódios de violência nos postos de saúde. Evidentemente que não se pode comparar um País arrasado por terremoto, com milhares de pessoas desabrigadas e feridas com um simples posto de saúde em Campo Grande. Mas podemos traçar um paralelo com as duas situações.

Ora, ninguém vai ao posto de sáude se não está doente, muitas vezes em estado grave. As pessoas vão ao local mais próximo em busca de socorro e quando o atendimento deixa a desejar pode sim, bater o desespero.

Ora, nós cansamos de assistir filmes americanos (e até gostamos) quando o mocinho (ou a mocinha) se desespera diante de situações críticas,  normalmente envolvendo filhos e hospitais que não podem ou não querem dar atendimento. E esse desespero os leva a quase sempre a tomar atitudes drásticas, porque ninguém suporta assistir o sofrimento do próprio filho (ou parente, ou amigo) sem fazer nada.

Claro que a gente sabe que violência não é nem nunca foi o caminho mais adequado para se resolver conflitos, mas quando entra a questão da sobrevivência todos nós viramos a mesa em algum momento.

Em Campo Grande a saúde não é das melhores e todos sabem disso. Não há vagas nos hospitais, as filas nos postos são enormes, o atendimento é por vezes ineficiente e, mesmo aqueles que possuem convênios ,sofrem com a demora e até com a indiferença. Então eu me pergunto: será que ao invés de montar estrutura policial nos postos de sáude não seria mais lógico cuidar melhor da estrutura do local, com mais médicos, enfermeiros capacitados e estrutura logística?

Criar um clima de tensão e ameaça não vai amenizar o sofrimento da população. Ao contrário, pode gerar ainda mais conflitos. Ou alguém imagina que  uma pessoa com filho doente, ou sofrendo na própria pele as agruras e a dor de um mal físico terá discernimento para entender que não vai ser atendido de forma satisfatória?  Ou que ele vai conseguir ficar calmo, numa boa,  e entender que a estrutura é precária, que mesmo pagando impostos ele não tem direito a tratamento digno? Acho que é pedir demais a um ser humano, principalmente aquele que está doente.

Duvido que algum político, administrador, ou quem possui posses, consegueria aceitar que um hospital, clínica ou algo no gênero, dissesse que seria impossível atendê-lo ou alguém de sua família; ou ainda, que ele consegueria ser compreensivo caso tivesse que enfrentar fila durante horas ou dias. Então, porque os humildes têm de se conformar pacificamente?

Dois pesos, duas medidas? Ah! façam-me o favor. Tragam médicos,  remédios, enfermeiros,  aparelhos modernos, tudo o que um cidadão tem direito. É o mínimo que se pode fazer por alguém tão humano quanto qualquer um de nós. A isso costumamos dar o nome de administrar.

Deixe o seu comentário

  1. Ana Maria El Daher disse:

    Theresa , concordo com vc em genero , numero e grau . Quero ver um neto , ou um filho de suas excelencias , sendo advertido que não poderia ser atendido. Quando dói na carne da gente , a situação fica totalmente diferente . Essas pessoas não tem noção do que é ser atendido pelo sus , postos municipais e outras cositas más. È a mesma coisa quando a populção reage contra os abusos do transporte público, eles andam de onibus na hora do rush? Sabem o que é ser assaltado , maltratado por motoristas grosseiros , passar todo o trajeto em pé , com crianças no colo? Eles estão tão longe dessas realidades , que dizem essas asneiras que somos obrigados a ouvir . Como diz o ditado ” è melhor escutar uma besteira dessa do que ser surdo”!!!!
    Bjs, Ana Maria

  2. hydrolyze disse:

    Appreciate it.. Yet one more excellent entry, that’s the key reason why we returned to the webpage over and over again!

    NICHELLE

Deixe o seu comentário