abril 18, 2010

Não sou daquelas pessoas que costumam chorar em cinemas. Talvez seja por conta das centenas e milhares (exagero? Acho que não) de filmes que já assisti. Sou cinéfila de carteirinha desde a minha mais tenra idade. Culpa – ou mérito de ter cadeira cativa no cinema do avô.

De qualquer forma, acredito que existem filmes marcantes e outros que passam. A maioria deles é feita para com objetivo de entreter, mas alguns são especiais, responsáveis por tocar, além dos olhos, a alma e o coração. Foi caso do drama Hanami — Cerejeiras em Flor, que assisti ontem no cine Academia. E não nego: saí chorando da sala. Aliás, o último filme que me tocou da mesma forma foi “O Buda” – nada a ver com o Pequeno Grande Buda, o filme em questão é argentino e conta a história de rapaz em busca de si mesmo através do budismo.

Mas voltando à Cerejeiras, da diretora alemã Doris Dorrie, o filme vale cada minuto, cada música (a trilha sonora é linda!), fotografia, diálogo. E é realmente incrível ver que uma película alemã mostra tão bem a cultura dos japonês. Não aquela que é vista nos grandes filmes, de Kurosawa, por exemplo. Cerejeiras é um filme de detalhes, de pequenos fragmentos cotidianos de seres absolutamente comuns.

A história conta a vida de um casal de meia idade, Rudi Angermeier (Elmar Wepper) e Trudi Angermeier (Hanellore Elsner) com uma vida rotineira e tranquila. Porém, ao receber a notícia de que seu marido está com uma doença que lhe dá poucos meses de vida, os médicos aconselham a Trudi que tenha cuidado ao contar sobre a enfermidade e sugere que o casal aproveite os últimos momentos para viajar ou realizar alguns de seus sonhos. 

Sem contar ao marido da doença, Trudi convence-o a saírem do interior da Alemanha e irem à Berlin para visitarem os filhos. Sem tempo para os pais, o casal vê o quanto eles se transformaram a ponto de considerar a breve visita um verdadeiro incômodo. A situação se agrava quando, ironicamente, Trudi morre, deixando seu marido sozinho em meio ao desprezo dos filhos. O pai passa a ser mais um incômodo na vida de todos eles.  

Ao voltar para sua cidade, Rudi decide se aprofundar nos pertences de sua mulher e descobre que a vida toda ela alimentou o sonho de conhecer o Monte Fuji, no Japão. Na capital Tóquio vive um dos filhos do casal – Karl Angermeier (Maximilian Bruckner). Da mesma forma que os seus irmãos, Karl também não tem tempo e muito menos disposição para tomar conta do seu pai. 

Como forma de compensar os sonhos da esposa que não pôde realizar, Rudi parte em uma jornada em busca da essência de uma das formas de expressão que sua mulher mais admirava: o butô, uma dança típica oriental. A época de sua visita coincide com o período do Hanami, o festival das cerejeiras. Suas flores simbolizam a beleza, as mudanças e um novo começo. Sozinho na imensa metrópole, Rudi conhece uma jovem dançarina de Butô com quem faz amizade. E é com ela que o pacato Rudi vai re-descobrir a beleza e o valor dos pequenos gestos. 

Elementos como esses seriam suficientes para construir uma boa trama, transmitir uma mensagem de maneira elegante em sua simbologia e, de quebra, permitir ao espectador refletir sobre o tema em meio às belíssimas imagens urbanas ou campestres do Japão. central da história.  

O filme é uma reflexão inteligente e amorosa sobre as concessões e castrações nas relações (sob o manto do amor, o deixar de fazer, de viver o desejo…..o abandono do projeto de vida pessoal em razão do casamento….e o tempo…….. que não para na esquina!!! E o egoísmo e grosseria dos filhos como se eles um dia não fossem envelhecer. Pena que, com certeza, nossos filhos não terão paciência de assisti-lo. Iriam aprender muito.

 

 

HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR  

FICHA TÉCNICA

Diretora: Doris Dörrie

Elenco: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Nadja Uhl, Maximilian Brückner, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel, Celine Tannenberger, Robert Döhlert, Tadashi Endo

Produção: David Groenewold, Patrick Zorer

Roteiro: Doris Dörrie

Fotografia: Hanno Lentz

Trilha Sonora: Claus Bantzer

Duração: 127 min.

Ano: 2008

País: Alemanha/ França

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